Revista Internacional
de Arte, Literatura y Tendencias Contemporáneas

Año 3, No 3 / La Habana, Cuba

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Sumario


Animal Planet: 3 relatos; Ahmel Echevarría Peré [relato] | El misterio del león; Alexei Dumpierre [relato] | Muestra inédita de "Pañuelos"; Ángel Delgado [plástica] [ensayo] | Grupo Proyecto Biopus: retrospectiva; Grupo Proyecto Biopus [new media] [net art] [plástica] | Lorenzo revisitado; César A. Terrero Escalante [ensayo] | Una anécdota sabrosa; César Valdevenito [relato] | Con Pina Bausch desaparece toda una época; Damaris Calderón [poesía][plástica] | DAVIS MUSEU, antropofagia estética: Entrevista a Davis Lisboa; Lizabel Mónica [entrevista [curaduría] [plástica] | Cubeta y País de Vaca; Efraín Rodríguez Santana [poesía] | Dossier: 10 poetas ecuatorianos del siglo XXI; Augusto Rodríguez [poesía] | Muñeca; Eliana Belén [poesía] El francotirador: microrrelatos Gerardo Fernández Fe [relato] | Yo, espléndida puerta: visiones de una poesía con intersticios; Jamila M. Ríos [ensayo] | Presentación al libro: Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais; Jorge Luiz Antonio [poesía][new media][poesía visual] | Muestra inédita de la exposición reciente MONTES CLAROS (S)EM PALAVRAS; Fernando Aguiar [plástica][fotografía]| El Bautizo de Nostrus Cygnus Maximus: dos poemas; Ljudevir Hlavnikov [poesía] | Materia; Marcelo Morales [poesía] | La tercera mujer; Nanne Timer [poesía] | Libro de College Station ; Pablo de Cuba Soria [novela] | Abedulia y Francesca; Waldo Pérez Cino [novela] | Dossier: 10 jóvenes poetas de Santiago de Cuba; Oscar Cruz Pérez [poesía]| El peso donde navega el creyente: nueve relatos; Raúl Flores Iriarte [relato] | Balada para un suicida: cuatro poemas inéditos; René Dayre Abella [poesía] | Muestra multimedial de obras plásticas; Luis Trápaga [plástica] [video] | Perú: un recorrido a través del lente ; Juan Carlos Borja Castro [fotografía] | Malabares de fuego; Suyai Otaño [fotografía] | "Pretendo crear un medio dentro del medio": entrevista a Kevin Beovides, fundador de "El Diletante Digital"; Lizabel Mónica [entrevista] [net art] [new media] | Muestra fotográfica; Lia Villares [fotografía ] [curaduría] | Grupo Puerco Pudle [video] | Capa Subeconómica; Amaury Pacheco [video] [poesía visual] [intervenciones] [plástica] [curaduría] [performances] | El patio de mi casa o The flesh failures; Alejandro Arango Milián [teatro] | Poesía visual: dos ensayos; Jorge Santiago Perednik [poesía visual] [ensayo] | When we are asked in the end of time; Neda Darzi [plástica] | Live transmission; Morgan O´Hara [plástica] [performances] | Video inédito del Festival Poesía Sin Fin 2009; OMNI Zona Franca [video] | @περας: hacia una topología del arte; Lizabel Mónica [ensayo] [net art] [new media] D

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Presentación al libro: Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais / Jorge Luiz Antonio


foto de autor

Jorge Luiz Antonio (Brasil, )

 
   Brasileiro, poeta, pesquisador, professor universitário, formado em Letras (Português e Inglês), especialista em Literatura, mestre e doutor em Comunicação e Semiótica (PUC SP), bolsista FAPESP em pós-doutorado (DTL-IEL-UNICAMP). É autor de Almeida Júnior através dos tempos (1983), Brazilian Digital Art and Poetry on the Web (2000: ), E-m[ag]inero, (com Fatima Lasay, 2001: ), Lago Mar Algo Barco Chuva (com Regina Célia Pinto, 2001: ), Cores, forma, luz, movimento: a poesia de Cesário Verde (2002), Ciência, Arte e Metáfora na Poesia de Augusto dos Anjos (2004), A Human Being Called David Daniels / Um Ser Humano Chamado David Daniels, em parceria com Regina Célia Pinto (cd-rom, 2004: ), Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais (2008), além de artigos em revistas impressas e eletrônicas, nacionais e internacionais. Vem participando como curador de exposições de artes plásticas desde 1982 e de poesia digital desde 2002, a exemplo da Mostra Internacional de Poesia Visual e Eletrônica (2005:).


Brazilian Digital Art and Poetry on the Web
www.vispo.com/misc/BrazilianDigitalPoetry.htm


Poesia eletrônica / Electronic Poetry
http://jlantonio.blog.uol.com.br

 


Presentación al libro: Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais

-texto cedido por su autor a Desliz-


Apresentação



É um desafio significativo fazer uma síntese da própria obra, com a necessária objetividade, e apresentá-la oralmente ou em forma escrita. Pressionado pelo tempo disponível ou pelo espaço oferecido, ou preocupado com a duração do efeito, na perspectiva de Edgar Allan Poe (1987, p. 109-122), inúmeras possibilidades vêm à mente e, por vezes, a escolha certa exige mais reflexão e a necessidade de um critério mais rigoroso.

Dentre as apresentações(1) de Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais(2) em várias localidades, a melhor solução encontrada me pareceu ser a exposição didática do conteúdo, por meio de conceitos e exemplos, indicando o enfoque do estudo e as possibilidades que ele pode oferecer ao leitor e/ou ao ciberleitor.


foto de autor
Ilustração 1 – Jim Andrews - ABCArchitecture

Três imagens-sínteses (capa, contracapa e página interna do livro) representam a obra: "ABCArchitecture", de Jim Andrews (Canadá), de 1995; as quatro infopoesias "az cor", de E. M. de Melo e Castro (Portugal), de 1999; e a composição visual de Solange Pereira Belfort (Brasil), de 2005, com uma das versões do texto estocástico de Theo Lutz e a foto do computador Zuze Z 22. Elas são agradecimentos e homenagens aos dois poetas que mais me auxiliaram ao longo da pesquisa e um tributo a Theo Lutz, pioneiro da poesia digital.

O fundo negro e as letras, formadas de imagens justapostas, nos indicam outra arquitetura, que também pode ser entendida a partir do poema que acompanha a poesia visual digital ou “vispo” (abreviatura de visual poetry):

ABC Architecture

Teach the children
that the ABC´s are theirs
to write in the spirit
of invention and generation (ANDREWS, 1995)

Aprender outra estrutura é um desafio para todas as pessoas que convivem com os meios digitais e os seus impactos na vida cotidiana.

Dentre a produção significativa de infopoesias de E. M. de Melo e Castro, “az cor” 1, 2, 3 e 4 podem ser apreciadas isoladamente ou em conjunto; quando vistas numa seqüência, representam a passagem do meio impresso ao meio digital.

foto de autor
Ilustração 2 – E. M. de Melo e Castro – “az cor” 1, 2, 3 e 4 (CASTRO, 1999)

Sob fundo azul, as letras vão se transformando em imagens e deixando de ser legíveis. A série representa a intervenção do poeta no meio digital, explorando as possibilidades de efeitos e as facilidades dos recursos de um programa para o exercício criativo.

É sob esse ângulo que Poesia eletrônica foi construído: um rápido olhar na passagem do meio impresso para o digital, exatamente no momento em que o poeta estava interessado em negociar com os signos tecnológico-computacionais, para um mergulho nos diferentes processos, tipos e produções da poesia eletrônica. Os exemplos foram coletados em diversos países e configuram uma amostragem internacional.

A terceira imagem foi outro elo essencial de toda a procura do conhecimento da poesia eletrônica em suas várias fases. As imagens do computador Zuze Z 22 e uma das versões do texto estocástico “Nach Franz Kafka” (À maneira de Franz Kafka), de Theo Lutz, de 1959, representam a experiência poética inaugural de um processo que vem tomando diferentes direções.

foto de autor
Ilustração 3 - Solange Pereira Belfort - "Nach Franz Kafka", de Theo Lutz, e o Zuze Z 22

A principal motivação deste estudo foi o curso de infopoesia ministrado por E. M. de Melo e Castro, em 1997. A partir das aulas teóricas e práticas de um dos líderes da Poesia Experimental Portuguesa e do pioneiro da videopoesia, recebi a necessária motivação para elaborar uma tese de doutorado (2000 a 2005). Dessa data até o primeiro semestre de 2008, dediquei-me à revisão, reformulação, ampliação e atualização do assunto.

A obra foi concebida, desde os seus primeiros esboços, para circular nos meios impressos (livro) e digitais (CD-Rom e rede), com teorias e exemplos retirados de uma amostragem internacional. O ciber/leitor pode ler o livro e acessar o computador simultaneamente, assim pode ver os poemas comentados, acessar a bibliografia eletrônica ou as poesias eletrônicas selecionadas, ou consultar o glossário. Uma vez que a obra trata das negociações da poesia com os processos digitais, é importante que a leitura também seja feita em ambos os meios e de forma interativa e hipertextual, ou seja, que haja uma exposição de poesia eletrônica na própria obra.

Além da necessidade de apresentar o assunto em dois meios, pareceu-me válido fazer uma edição de custo bastante acessível, o que me disponibilizou pouco espaço em páginas impressas. Isso me trouxe desafios: criar capítulos que iniciariam no meio impresso e que terminariam no meio digital. O resultado foi um livro de 200 páginas impressas e um CD-Rom com 533 páginas de texto, mais as antologias de poesia (379 poemas de 199 poetas em cerca de 400 páginas) e de textos teóricos (87 textos de 56 autores em 1018 páginas).

A escolha de uma amostragem internacional trouxe um volume significativo de informações, o que fez com que o livro tivesse uma feição de banco de dados e de enciclopédia. Isso fez uma obra em construção continuada, em progresso e em processo, à semelhança da própria produção de poesia eletrônica, que é um fenômeno poético recente e em contínua expansão.

Seguindo o exemplo de Brian Kim Stefans (EUA), que criou uma página para incluir o material suplementar do seu livro Fashionable Noise: On Digital Poetics (2003) -www.arras.net/fashionable_supplements.html-, também me pareceu adequado criar um blog para complementar o conteúdo do livro e do CD-Rom, preparando-me, dessa forma, para uma segunda edição: http://jlantonio.blog.uol.com.br.


O livro e seus capítulos


foto de autor
Ilustração SEQ Ilustração \* ARABIC 4 - Sobrecapa do livro (DesignYellow) e capa do cd-rom (aLe)


Poesia eletrônica: negociações com os processos digitais é o estudo das negociações semióticas da poesia com as tecnologias computacionais - mediação, intervenção e transmutação -, com o objetivo de apresentar conceitos e exemplos de uma poesia, que vem se desenvolvendo nos meios digitais desde a segunda metade do século XX.

A poesia eletrônica, em suas diferentes fases, é composta por uma linguagem tecno-artística-poética e é sob esse viés que ela pode ser lida e apreciada. É um tipo de poesia contemporânea, formada de palavras, formas gráficas, imagens, grafismos, sons, elementos esses animados ou não, na maior parte das vezes interativos, hipertextuais e/ou hipermidiáticos, formatados pela linguagem de programação do(s) computador(es) e que constituem um texto eletrônico, um hipertexto e/ou uma hipermídia. Ela existe no espaço simbólico do computador (internet e rede), tendo como forma de comunicação poética os meios eletrônico-digitais que se vinculam a esses componentes. De um modo geral, ela só existe nesse meio e só se expressa, em sua plenitude, por meio dele.

O tema da obra foi dividido em cinco capítulos: Poesia e tecnologia: tecnopoesia; Poesia, arte, ciência e tecnologia; Estado de arte da poesia eletrônica; Poesia e computador(es); Exemplos comentados e tipologia. Os quatro capítulos (primeiro, terceiro, quarto e quinto) conceituam, teorizam, exemplificam e comentam a poesia eletrônica, enquanto que um deles (o segundo) oferece um panorama histórico das relações da poesia com a arte, a ciência e a tecnologia, excluindo a poesia eletrônica.

Poesia e tecnologia: tecnopoesia (capítulo I) trata da teorização das negociações semióticas (mediação, intervenção, transmutação) do poeta com as tecnologias e das relações das linguagens poética, artística e tecnológica, cujo resultado é a linguagem tecnopoética, ou seja, a tecnopoesia, digital ou não.

Todos os capítulos contêm subcapítulos. Este, por exemplo, tem o seguinte desdobramento: Negociações semióticas: mediação, intervenção, transmutação; O poeta e a tecnologia; Linguagem poética, linguagem artística e linguagem tecnológica; Linguagem poética; Linguagem artística; Linguagem tecnológica; Linguagem tecnopoética ou tecno-artístico-poética.

Poesia, arte, ciência e tecnologia (capítulo II) mostra a natural vocação da poesia de lidar com outras linguagens e apresenta uma amostragem internacional dessas experimentações poéticas, em recortes cronológicos: da Antiguidade até o século XIX, Século XX: 1900-1950, Século XX: 1950-2000 e Século XXI: 2001-atualidade. Este é o capítulo mais extenso de todos (cento e quarenta páginas com ilustrações) e, por ser um enfoque histórico, tende a se tornar um outro livro.

Poesia eletrônica (capítulo III) apresenta dois subcapítulos: estado de arte, que é o mapeamento do que vem sendo estudado como poesia eletrônica desde 1959, com duas subdivisões: os conceitos precursores e as negociações semióticas com as linguagens computacionais; e algumas denominações mais usadas, que registra as denominações que vêm sendo atribuídas a esse fazer poético; dentre as inúmeras denominações existentes, optei pelo termo "poesia eletrônica", como uma denominação geral mais aceita pela maioria dos estudiosos.

Há poucas obras impressas(3) dedicadas ao estudo da poesia eletrônica(4): Dick Higgins (EUA, 1970), Richard W. Bayley (EUA, 1973), Pedro Barbosa (Portugal, 1977, 1996), Alain Vuillemin (França, 1990), Charles O. Hartman (EUA, 1996), Barbosa e Cavalheiro (Portugal, 1996), Eduardo Kac (Brasil / EUA, 1996, 1996-1997), Antonio Risério (Brasil, 1998), Ricardo Araújo (Brasil, 1999), Caterina Davinio (Itália, 2002), Loss Pequeño Glazier (EUA, 2002), Saúl Ibargoyen (México, 2002), Saskia Reither (Alemanha, 2003), Brian Kim Stefans (EUA, 2003), Friedrich W. Block, Christiane Heibach e Karin Wenz (Alemanha, 2004), Denise Azevedo Duarte Guimarães (Brasil, 2007), Chris Funkhouser (EUA, 2007). Por outro lado, há muitas antologias em revistas e livros, além de inúmeros artigos no meio digital (cd-rom, dvd e rede).

Poesia e computador(es) (capítulo IV) é um esboço da relações da poesia com o computador, com os seguintes desdobramentos: Poesia e computador; Poesia e arquivos eletrônicos; Poesia e programas; Poesia e Internet; Poesia e rede; Poesia e texto eletrônico, hipertexto e hipermídia.
 

Tipologia e exemplos comentados (capítulo V) analisa, a partir do delineamento de uma tipologia da poesia eletrônica, uma amostragem internacional de exemplos. Os desdobramentos são: Poesia-programa; Infopoesia; Poesia-computador; Poesia hipertextual e poesia hipermídia; Poesia-internet; Poesia interativa, colaborativa e performática; Poesia-código; Poesia migrante; Poesia performática cíbrida.

Ao longo deste estudo, observamos procedimentos da poesia com as tecnologias, de um modo geral, e com as tecnologias digitais, em particular. Esse panorama oferece os procedimentos mais significativos das atividades individuais de poetas, de grupos de poetas, de exposições de poesia eletrônica e de comunidades que agregam os poetas eletrônicos, o que nos permite afirmar a existência de um movimento internacional descentralizado, sem manifestos e em desenvolvimento constante.



Negociações semióticas: mediação, intervenção, transmutação(5)


As negociações semióticas com as tecnologias compreendem: a mediação poeta-máquina, por meio de signos e códigos; a mediação dos signos e dos códigos verbais e não verbais; a intervenção do poeta na tecnologia computacional para uma finalidade poética; e a transmutação intersistemas (poético e tecnológico), que se produz pelas interfaces. Isso resulta na tecnopoesia.

A mediação poeta-máquina gera trocas e partilhas semióticas em duas fases: na primeira, a assimilação de neologismos e conceitos tecnológicos, para poder aplicá-los como temas e expressões poéticos, ou seja, produção de signos, pois o poeta, ao tomar conhecimento do conceito cultural de determinada máquina, realiza a semiose (signo, objeto, interpretante, na conceituação peirceana), ou seja, o signo da máquina passa a ter significação em sua arte verbal. Numa segunda fase, o poeta, não necessariamente o mesmo, nem precisamente num tempo imediatamente posterior, assimila a linguagem da máquina e intervém nela, com a interface de que dispõe e por meio da criatividade de que dispõe, transmuta a função predominante da máquina - pragmática, referencial, objetiva – em poética – plurissignificativa, interagente.

A mediação dos signos e códigos verbais e não verbais possibilita a existência de uma linguagem poética, essencialmente verbal, não mais apenas potencializadora, indicial e icônica das linguagens não verbais, mas agora uma linguagem híbrida ou interagente.

Assim, a palavra, essência da poesia, negocia com a imagem e os grafismos da letra e da palavra manuscrita ou manipulada graficamente e interfere neles para a produção da poesia visual; com o som, para produzir efeitos sonoros (poesia sonora); com a animação, para produzir movimentos de palavras, letras e imagens (poesia animada); com o espaço físico, para a poesia tridimensional. A poesia interfere na simulação realizada pela tecnologia computacional e chega à tecnopoesia, que passa a ter existência no espaço simbólico do computador, individualmente, ou dos computadores em rede.

A tecnologia é um conjunto de conhecimentos científicos que se aplicam a um determinado ramo de atividade e compreendem os saberes (matemática, ciência, biologia, geometria, teoria da informação, informática, computação, programação, arte, literatura, etc.), as máquinas que foram criadas para as mais diferentes finalidades pragmáticas (indústria, comércio, residência, cidade), os meios de comunicação de massa, os métodos científicos em si mesmos, ou quando utilizados, por exemplo, para as ciências sociais, e assim por diante.

A tecnologia computacional compreende procedimentos científicos que envolvem o uso do computador como máquina individual de processamentos diversos (programas, CPU, teclado, mouse, monitor, impressora, escâner, microfones, caixas de sons, canetas, discos rígidos, discos flexíveis) e como máquina de comunicação (Internet e rede).

Essa máquina, com circuitos eletrônicos de hardware e, também, com linguagens formais (software, programas, algoritmos), tem uma parte que é programada de fábrica e uma outra que se deixa programar de maneiras diferentes, o que a faz ser usada como ferramenta e/ou como linguagem. Na grande maioria das vezes, é nesse material programável que o poeta interfere de diferentes maneiras e esses procedimentos são o que denominamos de negociações semióticas para a produção da tecnopoesia(6).

Poesia e computador realizam um ato semiótico, em que a primeira é a representante de uma tradição da arte da palavra e o segundo, um aparelho eletrônico, uma máquina programável que estoca e recupera dados e executa operações lógicas e matemáticas numa grande velocidade, mas que também oferece possibilidades de mediação, intervenção e transmutação, produzindo signos, significações.

A semiose é o resultado desse “encontro” e as significações que poesia e tecnologia computacional produzem é o que denominamos de tecnopoesia, com o objetivo de firmar a idéia de que é a poesia que produz significados e não a tecnologia computacional em si mesma, como se costuma pensar quando se fala no assunto. Embora seja feita com o auxílio de uma máquina, a tecnopoesia não é uma poesia maquínica, mas sim uma atitude reflexiva, uma manifestação a respeito da tecnologia computacional, sob o ponto de vista do poeta. É a poetização da tecnologia computacional.

É por isso que podemos afirmar que a tecnopoesia é o procedimento do poeta sintonizado com as tecnologias do seu tempo, e isso pode ser estudado também sob um viés histórico.

Dentre as inúmeras terminologias dadas a esse tipo de produção poética, adotamos inicialmente a denominação geral de tecnopoesia (FUNKHOUSER, 1994; DAVINIO, 2002). Pudemos igualmente adaptá-la como poesia da tecnociência, com base na arte da tecnociência (POPPER, 1993), e isso trouxe certa semelhança com poetécnicas (PLAZA; TAVARES, 1998). Trata-se, pois, de uma poesia que se serve dos recursos eletrônico-digitais da informática para ambientar a palavra no contexto potencial da sua verbo-voco-moto-visualidade. Nesse caso, há um deslocamento de aparato de produção e registro para a concretização de procedimentos visuais, sonoros e cinéticos.

Adotamos o termo tecnopoesia para os dois primeiros capítulos deste estudo, já que também abordamos o aspecto histórico e, dessa forma, temos diversas tecnologias. Nos dois últimos capítulos, optamos pelo termo geral poesia eletrônica, por parecer o mais usado nos meios universitários e o mais adequado para denominar as negociações da poesia com a tecnologia computacional.

As negociações da poesia com a tecnologia trazem certa semelhança com as teorias da literatura: elas repetem as teorias imitativa e expressiva da arte (realismo), considerando neste caso realidade interior e exterior como simulação para a tecnologia computacional e expressão como recriação do mundo tecnológico sob o ponto de vista da arte da palavra.

O tecnopoeta se coloca, qual o poeta romântico, como um tecnodemiurgo. A reação do poeta romântico contra a Revolução Industrial, criando um mundo subjetivo, ideal, paradisíaco, se assemelha à do tecnopoeta que, face ao tecnopólio que se mostra avassalador, é um mundo tecnocentrista que se lhe oferece também como linguagem poética. A questão central é subverter a linguagem tecnológica, transformá-la em tecnopoética. Assim, a cultura não se rende à tecnologia, mas sofre a intervenção do poeta, que faz dela uma outra forma de comunicação poética. Ocorre, assim, uma poetização da tecnologia computacional.

Para procurar entender a tecnopoesia, apropriamo-nos do conceito de operadores da poesia experimental (semântico, fônico, morfogênico e visual ou icônico) (PADIN, 2000, p. 209-223), que se baseou nos operadores semânticos e fônicos da poesia verbal (J. COHEN, 1974), para considerá-lo como operadores tecnopoéticos, ou seja, trocas, relações, inter-relações, contribuições, conversões, transposições, migrações, mediações, adaptações, configurações, transmutações e intervenções realizadas entre as linguagens poéticas, artísticas e tecnológicas, sob o enfoque predominante da (tecno)poesia.



O CD-Rom e suas partes


A inclusão de um CD-Rom foi essencial no processo de apresentação do tema nos meios digitais, possibilitando uma leitura simultânea do livro impresso e dos arquivos eletrônicos disponíveis no CD-Rom e na rede.

O projeto inicial de 2005 era apenas um CD-ROM contendo uma antologia de poesias verbais e visuais que acompanhava um texto impresso de duzentas páginas. Novas pesquisas e novos enfoques me levaram a ampliar o conteúdo do CD-Rom (2006 a 2008), especialmente porque pretendia fazer um livro a um preço acessível. Uma nova estrutura foi pensada e desenvolvida em HTML por Alexandre Venera dos Santos. Novas atualizações me levaram a deixar a versão em HTML e a fazer outra em Flash, que foi concebida por NMD Internet e Multimidia / Produção e Design. Para dar continuidade ao trabalho iniciado pela NMD, Liliana Bellio revisou, refez e finalizou o conteúdo. Os programadores e eu tivemos a preocupação em criar um espaço digital agradável, que convidasse à descoberta e à navegação.

O CD-Rom também ofereceu a possibilidade de ampliar e enriquecer o conteúdo do livro. Assim, foi possível apresentar uma cronologia com muitas ilustrações; as antologias sem limite de espaço e de cores; as denominações da poesia eletrônica e o glossário foram apresentados com a extensão necessária; a bibliografia, sem sofrer o limite de páginas do livro impresso, tornou-se um banco de dados e de fácil consulta.
Sendo uma amostra internacional, os textos principais foram traduzidos para o inglês e para isso contei com a ajuda de Joel Weishaus (EUA), que pacientemente os revisou.

O desenvolvimento dos capítulos em meio digital ofereceu a oportunidade de muitas ilustrações em cores. Na Antologia de Poesias, pude resgatar as obras que não foram publicadas na rede ou que se perderam em sítios desativados. Na Antologia de Textos Teóricos, procurei reunir, numa obra, o maior número possível de estudos e oferecer, aos leitores e ciberleitores, uma visão panorâmica e cronológica. A bibliografia em arquivo digital possibilitou acessar os documentos eletrônicos a partir de um clique.

Preocupou-me a possibilidade, sempre existente, de sítios desativados e links quebrados, fatores que poderiam prejudicar o conteúdo digital. Então, pareceu-me válido informar o ciberleitor se, porventura, algum endereço eletrônico estiver incorreto ou não disponível, o ciberleitor pode tentar por intermédio do SearchMachine - www.searchmachine.com - ou do WayBackMachine - http://www.archive.org:80/web/web.php .  Para o caso de um link quebrado no CD-Rom, em função de alguma incompatibilidade técnica entre o CD-Rom e a máquina do ciberleitor, ele poderá abrir o arquivo diretamente no CD-Rom. Se isso não for suficiente, estou à disposição no seguinte e-mail: jlantonio@uol.com.br.

O conteúdo do CD-Rom está dividido nas seguintes partes:

Homenagem
Dedicatória
Introduction(7)
Chapter I – Poetry and Technology: Technopoetry:
1 - Semiotic negotiations: mediation, intervention, transmutation(8)
Capítulo II - Poesia, arte, ciência e tecnologia (continuação)
Capítulo III - Poesia eletrônica (continuação)
Créditos
Notas biográficas
Agradecimentos
Referências
Anexos:
Antologias de: Poesias Textos teóricos
Textos adicionais: Denominações Cronologia Glossário


O CD-Rom foi elaborado de forma a facilitar os mais diferentes tipos de consultas, pois tomei por base o conceito de usabilidade (NIELSEN, 2000), ou seja, um menor número possível de cliques: além da primeira página e da dedicatória, todo o conteúdo está apresentado em duas páginas.
foto de autor
Ilustração SEQ Ilustração \* ARABIC 5 - CD-ROM - página do Sumário

foto de autor


Ilustração SEQ Ilustração \* ARABIC 6 - CD-Rom - página de Anexos




Exemplos comentados



A tipologia foi elaborada a partir do estágio de tecnologia computacional então existente: Poesia-programa; Infopoesia; Poesia-Computador; Poesia hipertextual e poesia hipermídia; Poesia-internet; Poesia interativa, colaborativa e performática; Poesia-código; Poesia migrante; Poesia performática cíbrida. Vale ressaltar que essas tipologias não são categorias estanques, nem mesmo nos períodos de predomínio desse tipo de tecnologia.

A primeira fase da mediação poeta-máquina, que é a assimilação de neologismos e conceitos tecnológicos para se tornarem temas das poesias, não está no capítulo V(9), pois é uma fase anterior ao que é considerado como poesia eletrônica. Exemplos: François Le Lionnais, com "Table", dos anos 1960/1970; "[a máquina]", de Paulo Leminski, de 1978; página “Computer songs and poems”, organizada por poppy (Jenny Preece) (Inglaterra) - http://www.poppyfields.net/filks/ - baseada na coletânea de mesmo título de Stefan Hänßgen (Alemanha) - http://wwwipd.ira.uka.de/~haensgen/compsongs/computersongs-1.4; “Pela Internet”, de Gilberto Gil, de 1996; etc. O exemplo escolhido foi um trecho de "O computador", de Eno Theodoro Wanke (1929-2001), de 1968: "Devora silenciosamente os dados / na indicação magnética da fita / e os guarda na memória – uma esquisita / combinação de núcleos imantados. // [...] O cérebro eletrônico é a vitória / da inteligência feita de luz e glória, /na mais humana máquina inventada (WANKE, 2000, p. 139)".

Poesia-programa é um dos procedimentos da poesia eletrônica, que faz uso predominante da programação e dos diferentes tipos de geradores de textos. A programação de computadores, desde os seus primeiros momentos, trabalha com uma sintaxe especial, uma linguagem simbólica, que vem sendo utilizada pelos poetas.

É uma negociação característica: o poeta, com a parceria do engenheiro e programador, assimila a linguagem de programação (interação) e intervém no computador, transformando-o em máquina produtora de textos (versos e frases). É uma forma metafórica de dizer que a poesia "pode" ser feita por uma máquina e representa uma tentativa de excluir ou transferir a subjetividade da poesia e de realizar o mito do robô poeta. Exemplos: Theo Lutz, Nanni Balestrini, Jean A. Baudot , Pedro Barbosa, dentre outros.

Infopoesia é uma negociação em que os editores de imagens oferecem a possibilidade de migrar todo o tipo de poesia visual para os meios computacionais, no primeiro momento, e oferece, depois, a possibilidade da criação diretamente no meio digital. Os recursos dos editores de imagens, usados para diversos fins, muitos dos quais não artísticos, oferecem uma oportunidade de interação e intervenção do poeta. Exemplos: as infopoesias de E. M. de Melo e Castro; as vispo de Jim Andrews; dentre outros.

Poesia-computador indica o momento em que começa a existir, no final dos anos 70 e início dos anos 80, o PC (Personal Computer), computador pessoal ou microcomputador. Na maioria dos casos, os poemas são feitos com os comandos do DOS e com as linguagens de programas de programação da época, como a BASIC. Exemplos: Silvestre Pestana, João Coelho e Albertus Marques.

Poesia hipertextual e poesia hipermídia - Os dois termos representam as negociações do poeta a partir dos meados dos anos 80, quando são criados os primeiros sistemas de hipertexto(10) (1983) e a World Wide Web (1989). Esse tipo de poesia se distingue dos outros comentados anteriormente porque passam a existir no ciberespaço dos computadores interligados em rede, e não apenas em computadores isolados e nos seus monitores, ou em uma versão parcial impressa. Exemplos: “Reality Dreams”, de Joel Weishaus - http://www.cddc.vt.edu/host/weishaus/cont-r.htm -; "Pop-up poems"A, de Jim Andrews - http://vispo.com/popups/popups.htm -; "Antilogia Laboríntica", de André Vallias - http://www.refazenda.com/aleer/ -; "Scalpoema", de Joesér Alvarez - http://geocities.yahoo.com.br/scalpoema/index.html - ; dentre outros.

Poesia-internet, também denominada de internet poetry ou net poetry, se refere à poesia eletrônica que utiliza o modo de comunicação muitos-muitos e faz da Internet seu principal meio de comunicação, mesmo quando precisa ser acessada via rede. Ela se assemelha à arte postal, surgida na década de 60, e também sofreu a influência da arte telemática. Exemplos: “Medical Notes of an Illegal Doctor”, de Alexis Kirke - http://www.wings.buffalo.edu/epc/ezines/brink/brink02/medical.html-; "Imaginary Post Office", de Randy Adams - http://tracearchive.ntu.ac.uk/studio/radams/post/postinfo.html -; New Padin's Spams Trashes, de Clemente Padin - http://www.arteonline.arq.br/museu/cds/cd4.htm -; dentre outros.

Poesia interativa, colaborativa e performática é uma série de propostas poéticas que devem ser realizadas com a participação do leitor-operador, exigindo dele mais do que interatividade, pois, em muitos casos, ele é convidado a ser co-autor da obra em potencial. Ela, muitas vezes, deixa de ser realizada somente no meio eletrônico-digital e passa a fazer parte do mundo tridimensional, tornando-se também performática. Nesse caso, o poeta interage com o computador e a rede. Exemplos: “Isto é uma experiência”, de Ana Hatherly - http://www.interact.com.pt/interact1/flash/laboratorio/lab_1.html -; "the five word picture poem", de Komninos Zervos - http://www.griffith.edu.au/ppages/k_zervos/5wpclear.html -; Reflexões no vazio, de Martha Carrer Cruz Gabriel - http://www.martha.com.br/poesias/reflexoes/ -; dentre outros.

Poesia-código - À semelhança das experimentações com letras e palavras, sem uma preocupação com a legibilidade e com o significado dos códigos, das vanguardas européias e de outros movimentos poéticos do século XX, o meio informacional oferece suas linguagens de programação que, para alguns poetas, passam a ser assumidas como linguagens poéticas. O código lingüístico, as linguagens de marcação de hipertexto (HTML) e os símbolos matemáticos, dentre outros, é que se tornam a parte material do poema eletrônico, na maioria das vezes, também explorando o espaço em branco da página da rede ou do e-mail. Exemplos: "mezangelle language system", de Mez (Mary-Anne Breeze) - http://www.hotkey.net.au/~netwurker/ -; "404 not found", de Ted Warnell - http://warnell.com/real/four04.htm -; dentre outros.

Poesia migrante - Releituras e intertextos também fazem parte de muitos bons resultados na poesia eletrônica. São procedimentos que têm por objetivo fazer uma releitura, no meio digital, da poesia visual (bi e tridimensional), da poesia concreta e grande parte das poesias modernistas (vanguardas), principalmente, aproveitando uma certa “vocação” digital, ou seja, aqueles fazeres poéticos que já prenunciavam o uso das tecnologias. Exemplos: a revista Artéria 8, editada por Omar Khouri e Fábio Oliveira Nunes - http://www.arteria8.net/ - Cortex Revista de Poesia Digital, editada em CD-Rom por Lucio Agra, Thiago Rodrigues e digitalizada por Guilherme Ranoya.

Poesia performática cíbrida – O termo foi adotado com base no conceito de “nomadismo cíbrido”, tema do Simpósio Cibercultura 2005: nomadismos cíbridos(11), que tratou das “novas formas de mobilidade e deslocamentos (que) permeiam situações do cotidiano contemporâneo”, pois estamos, “cada vez mais, interagindo em espaços híbridos, compostos pela aglutinação de redes informacionais e espaços físicos”, ou seja, das “modalidades vivenciadas a partir de aparatos como: telefones celulares, notebooks, PDA e GPS”, que “nos permitem experiências cíbridas, que mesclam e hibridizam o real e o ciberespaço”. Desse conceito geral, chegamos a “nomadismo cíbrido na poesia eletrônica”. O termo “cíbrido” é uma nova palavra tendo um sufixo “ci” derivado de “cibercultura” que substitui o “hi” de “híbrido” e significa o hibridismo da cibercultura com outros tipos de cultura. Exemplos: Árvore, de Silvestre, de 1986, registrado em DVD; Baila, de Loss Pequeño Glazier, Kellie James, Sadie Reid e Carrie Syckelmoore – http://epc.buffalo.edu/authors/glazier/e-poetry/london - “I´m not a book no 2.0”, de Lucio Agra, registrado em fotografias; dentre outros.D


foto de autor
Ilustração SEQ Ilustração \* ARABIC 7 - CD-Rom - página da dedicatória



Notas / Referências



Notas

(1) Tese de doutorado apresentada à banca examinadora em 17 jun. 2005, na PUC SP COS:; em out. 2005, uma entrevista concedida a Rogel Samuel, disponível em: http://www.pd-literatura.com.br/pd2005/especiais/out_rogel.pdf; palestra ministrada na Biblioteca Municipal Dr. Fritz Müller, Blumenau, em 11 jun. 2008; apresentação em 31 ago. 2008, no Centro MEC, em Montevidéu, Uruguai.
(2) São Paulo, SP: FAPESP; Itu, SP: Autor; Belo Horizonte, MG: Veredas & Cenários, 2008, 198p. Prefácio de E. M. de Melo e Castro (Portugal) e Chris Funkhouser (EUA). Textos de orelhas de Lucio Agra e Omar Khouri (Brasil). Acompanha um CD-Rom.
(3) De um modo geral, no meio eletrônico, os estudos existentes são ensaios curtos e artigos que focam determinadas experiências poéticas com as novas tecnologias.
(4) Este mapeamento não inclui capítulos ou trechos sobre poesia eletrônica publicados em livros impressos, nem obras que tratam de literatura eletrônica. Não foram citados alguns poucos autores cujas obras ainda não pude ler, como, por exemplo: Jean-Pierre Balpe e Jacques Donguy.
(5) Pareceu-me necessário transcrever a primeira parte do capítulo 1 do livro, para que o ciber / leitor possa ter uma idéia do enfoque teórico.
(6) O poeta também poderia utilizar a máquina como um objeto e fazer nela uma intervenção poética, produzindo um poema-objeto, por exemplo, mas esse não é o nosso objeto de estudo.
(7) Para melhor compreensão daqueles que não lêem em português, a introdução está traduzida para o inglês.
(8) Trata-se do capítulo que contém a tese do livro.
(9) Esse assunto foi conceituado e exemplificado no subcapítulo 4.9 (Poesia, ciência e tecnologia) do capítulo II (Poesia, arte, ciência e tecnologia). Há referencias a esse conceito no texto “Negociações semióticas: mediação, intervenção, transmutação”, que faz parte desta apresentação.
(10) O conceito de sistema de hipertexto é o Projeto Xanadu (1960) e, nos anos 60 e 70, há muitos sistemas hipertextuais que foram surgindo, mas o uso do hipertexto em poesia começa em meados dos anos 80.
(11) Este Simpósio foi sediado no Centro Universitário Senac (São Paulo, Brasil) nos dia 7 a 9 dez. 2005.


Referências


ANDREWS, Jim. Vispo. Victoria, Canadá: edição do autor, 1995. Disponível em: < HYPERLINK "http://www.vispo.com" www.vispo.com>.

CASTRO, E. M. de Melo e Castro. A proposição 2.0I: Poesia Experimental. Lisboa: Ulisseia, 1965.

______. Poética dos meios e arte high tech. Lisboa: Vega, 1988.

______. Infopoesias: produções brasileiras: 1996-99. Ócio Criativo, São Paulo, 1999/2000. Disponível em: < HYPERLINK "http://www.ociocriativo.com.br/guests/meloecastro/" www.ociocriativo.com.br/guests/meloecastro/>.

COHEN, Jean. Estrutura da linguagem poética. Tradução: Álvaro Lorencini e Anne Arnichand. São Paulo: Cultrix, 1974.

DAVINIO, Caterina. Tecno-poesia e realtà virtuali: storia, teoria, esperienze tra scrittura, visualitá e nuovi media. Tradução: Caterina Davinio, Jorge Luiz Antonio e Tom Bell. Mantova, Itália: Sometti, 2002. Edição bilíngüe (italiano-inglês).

FUNKHOUSER, Christopher. Takes a lot of voice to sing a millennial song. EUA, 1994. Disponível em: < HYPERLINK "http://wings.buffalo.edu/epc/authors/funkhouser/voices" http://wings.buffalo.edu/epc/authors/funkhouser/voices>. Acesso em 26 jul. 2004.

______. Toward a Literature Moving Outside Itself: The Beginnings of Hypermedia Poetry. Albany, EUA, 1996. Disponível em: < HYPERLINK "http://web.njit.edu/~cfunk/web/inside.html" http://web.njit.edu/~cfunk/web/inside.html>. Acesso em: 25 set. 1999.

NIELSEN, Jakob. Projetando websites. Tradução: Ana Gibson. Rio de Janeiro: Campus, 2000.

PADIN, Clemente. La poesía experimental latinoamericana: 1950-2000. Tradução: Yolanda Péres Herreras. Colmenar Viejo, Espanha: Información y Producciones s. I., 2000. Também disponível em: < HYPERLINK "http://boek861.com/padin/indice.htm" http://boek861.com/padin/indice.htm>. Acesso em: 10 out. 2003.

PLAZA, Julio; TAVARES, Monica. Processos criativos com os meios eletrônicos: poéticas digitais. São Paulo: Hucitec / FAPESP, 1998.

POE, Edgar Allan. Poemas e ensaios. Tradução: Oscar Mendes e Milton Amado. Revisão e notas: Carmen Vera Cirne Lima. 2.ed. Rio de Janeiro: Globo, 1987.

POPPER, Frank. As imagens artísticas e a tecnociência (1967-1987). In: PARENTE, André (Org.). Imagem-Máquina: a Era das Tecnologias do Virtual. Tradução: Ivana Bentes. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1993, p. 201-213.

STEFANS, Brian Kim. Fashionable Noise On Digital Poetics. Berkeley, Califórnia, EUA: Atelos, 2003.

WANKE, Eno Theodoro. O acendedor de sonetos. Rio de Janeiro: Plaquette, 2000, v. 2, p. 122-147.

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Cubeta y País de Vaca / Efraín Rodríguez Santana


foto de autor

Efraín Rodríguez Santana (Palma Soriano, Cuba, 1953)

 
   He publicado algunos libros de poesía, entre ellos: El Hacha de miel (1980), Otro día va a comenzar (2000), Premio Internacional de Poesía Gastón Baquero y Un país de agua (2003), Premio Centenario de Rafael Alberti. Ese mismo año se editó por Letras Cubanas la novela La mujer sentada. En 1995 tuve la dicha de trabajar durante seis meses en Madrid con Gastón Baquero, más tarde conseguiría la publicación en Cuba de sus poemas a través de una antología que titulé La patria sonora de los frutos (2001). De esta manera Gastón volvía a los lectores cubanos luego de cuarenta y ocho años de ausencia. En la actualidad vivo en São Paulo, allá en noviembre de 2007 conocí al extraordinario Lorenzo García Vega. Acabo de terminar una novela dedicada por completo al poeta Ángel Escobar (1957-1997) que he titulado provisionalmente Maqueta de Ángel.      

 


Cubeta y País de Vaca

-dos poemas inéditos-


Cubeta




I

Puede ser una cubeta de boca ancha
puede ser una cubeta sobre una mesa de madera
llena de líquido y tu cabeza hundida dentro de ella
la cubeta puede estar en un receptáculo una especie de cuarto
de exhibición organizado dentro del programa de venta
de un edificio todavía no construido
esa cubeta tiene el valor de mostrar una cabeza
una cabeza sin aditivos como brazos pechos manos
una cabeza que fue cortada de verdad como ocurre
en los museos de cera.


II

La cubeta es de un color brillante
el receptáculo o cuarto de exhibición trasluce
y la cabeza hundida será el símbolo de lo que se vende
su ubicación encima de una mesa de madera oscura
pegada al fondo de la pared la cubeta y su cabeza
que ondula suavemente de un borde a otro
como si nunca hubiera pensado.


III

Mi mujer y yo creemos que si echamos un par de monedas
en el torniquete recorreremos aquello que es como
un sueño que nos merecemos todos
así que depositamos las monedas en el torniquete
y el mismo gira para dejarnos pasar.


IV

Abolido el suicidio y los accidentes por armas de fuego
queda sumergirse en esa agua vigilada
el torniquete gira en un sentido y otro
pues ya somos parte de la sociedad
es una forma de elegir entre muchos otros diseños
el barrio rodeado de vecinos socios con perros.D


País de Vaca




cristalino

en el río hay una calma insegura
se escuchan las burbujas al explotar
se escuchan y se ven
usted ve que hay un movimiento
de corrientes y de burbujas
y de saltos de peces que asoman
la cabeza a la superficie.


logrero

A. E. declara que no se convertirá en un logrero
con un tono como de invocación a la virgen
puso de su parte y al fin dejó algo inexplicable
difícil de saber por qué lo hizo siendo nadie
encima de la mesa ese paquete llamado poesía completa
así que gracias a dios no palparemos su triunfo
con las manos lisiadas qué te parece
poesía póstuma ese paquete de la sangre
ese enigma del linaje de la raza dice su amigo Julio Pino.


cristalino

se hunde el remo en el río
no hay solución de continuidad
así reza la frase conocida
se hunde el remo y se desliza la barca
la corriente la empuja a pequeños
remolinos.


país de vaca

hoy tuve ganas de hablar contigo
llegar al cantón y conversar sin intermediarios
conversar contigo sobre nuestro país de vaca
perla de tus dientes de marfil lavados
tocaría como cualquiera a la puerta de tu casa
levantaría el dedo del corazón
móntate aquí y baila conmigo querubín.


asesinados por el cielo

tres juanes tres negritos tres jóvenes comunistas
todo el que está amparado por el cielo es comunista
con sus patas de rana nadaron hasta el primer veril
negros pescadores del cielo
fueron recapturados y llevados a tribunales y condenados
al amanecer asesinados por el cielo
tres juanes tres negritos tres jóvenes comunistas
fueron entregados en paquetes póstumos
uno cada día a alguien parecido a sus madres.


cristalino

el pez salta sobre el agua
el agua se arremolina
el pez salta y besa el aire
sus ojos como rendijas
desde donde se ve el mundo.


matarifes

sé de unos matarifes que se pasean por el parque
llevados y traídos por el olor de las vacas
cuando amanece cumplen con sus obligaciones
matar tan sólo a aquellos que saben nadar
matar tan sólo a aquellos que caminan por las calles
matar sin más a los que vuelan.


cristalino

sobre una plataforma en el río
dos cuerpos blancuzcos reposan
buscan una respuesta a tanta inercia
buscan el amparo de las palabras
que la lógica cubra su indefensión
dos cuerpos ya tibios por el sol.


farra

se corta el cuerpo x en pedazos muy finos para tasajo
se conserva por varios meses bajo una capa de manteca fuerte
la carne envuelta en paños húmedos.


muñecona

en el quinto piso aparece la muñecona en cuero
se mueve de un lugar a otro ordenando cosas
un corpiñito azul y sus bellas nalgas al aire
dobla ropas y arroja a un cesto papeles manuscritos
debajo del corpiñito unas tetas grandes y naturales.


cristalino

era una bandada de tres ararás
seguidos de una bandada de tres
garzas reales seguida de tucanes
cuerpos blancuzcos a la orilla del río
tatuados por la sombra de esos pájaros
el cristalino tiene una corriente invisible
dos cuerpos extraños cortando el agua
paso de su color oculto hacia la frontera.


matrona

la mujer parece joven llega con otra persona
enciende el cuarto y se desnuda
se acerca a su cabeza le lame la oreja
la otra persona se levanta pone a la mujer en cuatro
saca un cinturón y le pega fuerte
desde lejos ella mueve los hombros
abre un termo y toma algo caliente.


cristalino

el cristalino desemboca en el teles pire
es como el fin de un país y el comienzo de otro
al chocar las aguas marronas del cristalino
con las aguas negras del teles pire algo se divide
como no sé nadar muy bien quedaré atrapado
en esta orilla a expensas de que la especie mejore
en apariencia todo es un problema de color.


país de vaca

de nada hay que arrepentirse y se debe saber
que la historia aniquila a los arrepentidos
y todo padre por naturaleza tiraniza y toda madre
puede llegar a ser una medea de su casa
en esa sucesión lo que importa es no dejar huella
y nada escrito y orejas sordas a la súplica de la sangre
la sangre no es más que el camino de medea
el padre tiraniza lo que está vivo en porciones
que dan para vivir una vida entera.D


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DAVIS MUSEUM, antropofagia estética: Entrevista a Davis Lisboa / Lizabel Mónica


DAVIS MUSEUM
CREDITOS DAVIS MUSEUM


DAVIS MUSEUM (España, 2009- )

 
   DAVIS MUSEUM, The Anthropophagic Davis Lisboa Museum of Contemporary in Art in Barcelona es un mini museo de arte contemporáneo radicado en Barcelona. Sus dimensiones son de 7,8 x 7,8 x 7,8 pulgadas (20 x 20 x 20 cm) y puede visitarse en el estudio de Davis Lisboa, C/ Puigmartí 7, 1º, 2ª, 08012, Barcelona, España). Es un proyecto sin fines de lucro que organiza, produce y promueve el arte contemporáneo de artistas emergentes de todo el mundo, cuyas piezas son recogidas en exhibiciones de cuatro meses de duración en este museo de pequeño formato. Entre los objetivos citados en la página web del museo, davismuseum.com, se encuentran el de trasladar las muestras hacia otras instituciones culturales, nacionales e internacionales, propiciando el debate, el pensamiento y la reflexión en torno a las artes visuales. Su misión, dice Davis Lisboa, es "la selección, presentación, estudio, diseminación y preservación del arte contemporáneo de todo el mundo".      

   El creador de este proyecto, fundado en la fecha reciente de enero de 2009 es el artista plástico Davis Lisboa (1965, São Paulo, Brasil), quien vive y trabaja en Barcelona. DAVIS MUSEUM dispone de su propia colección de arte en pequeño formato y es "por el momento", un proyecto alternativo sin fines de lucro. 


DAVIS MUSEUM, antropofagia estética: 

Entrevista a Davis Lisboa

-entrevista inédita para la Revista Desliz-


Davis Lisboa


Lizabel Mónica: Mi primera pregunta para Davis se desprende de la línea anterior. Davis Museum no es ni pretende convertirse en un negocio, pero anuncia que puede convertirse en un proyecto oficial con el apoyo de alguna institución interesada. ¿Puedes hablarnos de las estrategias a largo plazo que DAVIS MUSEUM, The Anthropophagic Davis Lisboa Museum of Contemporary in Art in Barcelona está planeando para sobrevivir y/o crecer?

Davis Lisboa: Es muy importante dejar claro que DM es un museo y está exclusivamente enfocado hacia el estudio y divulgación de las artes visuales contemporáneas. No es una galería de arte, por lo tanto, no está interesado en la comercialización de las producciones culturales ni con plusvalías. Esto no quiere decir que no se pueda buscar un sponsor privado o público o una subvención estatal, para que el proyecto pueda crecer. DAVIS MUSEUM está siendo presentado a algunas fundaciones y algunas de ellas demuestran un cierto interés en el museo. También existen algunas personas interesadas en participar con su trabajo voluntario. Uno de estas personas es una arquitecta canadiense que estaría dispuesta en proyectar un edificio virtual para DAVIS MUSEUM en Second Life. Se trabaja duro, seamos, pues, pacientes, porque creo que los resultados vendrán.

LM: ¿Hay / habrá estrategias de colaboración en DAVIS MUSEUM con otros proyectos e instituciones?

DL: Sí. Ha habido, hay y habrá colaboraciones de DAVIS MUSEUM con otros espacios e instituciones culturales, tanto oficiales como alternativas. El LACDA, Los Angeles Center for Digital Arts; el Museo Karura Art Center (MKAC); el Centre Cívic Parc-Sandaru y la Pontificia Universidad Católica del Perú son ejemplos de estas colaboraciones.

LM: ¿Davis Lisboa trabaja solo en la producción, promoción y organización de DAVIS MUSEUM? ¿Será esto siempre así?

DL: Cuando son exposiciones virtuales, normalmente trabajo “casi” solo en la producción, promoción y organización de DAVIS MUSEUM.

De vez en cuando recibo ayudas puntuales de muchas personas, como en la orientación del proyecto, por parte de Maribel Perpiñán; reconocimiento institucional por Joan Solá; búsqueda de alternativas de financiación por Inés Garriga Rodriguez y Belén Sánchez; reseñas críticas por Irene Pomar; cambios de formatos de vídeos  por Anna Accensi Alemany;  envío de e-mails, por Anna Accensi Alemany; tradución y rectificaciones de textos en Inglés,por Phyllis Alter y Darla Farner; rectificaciones de textos en español y catalán por Francesc Accensi Alemany; diseño de la página web por Anna Accensi Alemany y Aurelio Moreno Lanaspa;  sesión de espacio expositivo, divulgación  y construcciones de espacios virtuales en 3D por Yolanda Arana López, divulgación académica por José Domingo Elias Arcelles, entre otros.

Ticket de DAVIS MUSEUM

Ticket de DAVIS MUSEUM


Cuando son exposiciones físicas, siempre hay unas cuantas personas más involucradas en el proyecto, como en el transporte por parte de Lidia García Rojo;  entrevista, montaje y difusión por Catarina Sousa y Bruce Rex;  sesión de espacio expositivo, organización, carteles, flayer, animación, catering, reportajes fotográficos, préstamo de proyectores de vídeo y otros objetos por Laura Urrea García y Bruce Rex; ayudas económica, por la Tasca; entre otros.

Además de todos los artistas que ya han enviados sus obras para hacer parte del acervo de DAVIS MUSEUM.

En el futuro, y si un patrocinador me lo permite, me encantaría poder contar con la colaboración de un crítico, un historiador y un restaurador de arte.

LM: La muestra inaugural de DAVIS MUSEUM (1ero de enero- 31 de marzo de 2009) fue The Museum Is The Work Of Art de Davis Lisboa: el objeto-museo que puede tomarse como una suerte de prólogo de sí mismo -el objeto escogido para crear este museo es una urna de votación, un cubo de metacrilato utilizado para recoger los votos en una elección. DAVIS MUSEUM se autodenomina museo/escultura/obra de arte colectiva, y tal como lo declara la página web, su dinámica de exposiciones determina una autoría colectiva que lo conecta con la estética relacional, alterando la noción de autor. ¿Quieres hablarnos acerca de esto?

DL: DAVIS MUSEUM está vinculado a la estética relacional porque es una obra que, al contrario del Conceptual de los años 70, está en contra las concepciones del arte como idea cerrada, abstracta, incomprensible, alejada, inaccesible, con una postura crítica en contra de la visualidad y sobre todo, inútil socialmente; en cambio DAVIS MUSEUM defiende la idea de la obra como abierta, concreta, razonablemente comprensible, cercana, moderadamente accesible, con una postura -aunque crítica- “coqueta” con la visualidad, y por encima de todo y lo más importante: socialmente útil para las personas relacionadas con las artes visuales. DM no es solo mi obra de arte, sino que es nuestra obra de arte colectiva, creada con la participación voluntaria de varios artistas y colaboradores. Estos, desde luego, tienen el pleno derecho de firmarla. Esta idea es menos común en las artes plásticas que en el cine o en el teatro, en que la formación de un grupo es fundamental.

LM: La presencia del vocablo "antropofagia" en el subtítulo para connotar la práctica caníbal de DAVIS MUSEUM, The Anthropophagic Davis Lisboa Museum of Contemporary in Art in Barcelona, y su descripción como una obra que "se traga" otras obras de distintos artistas y disciplinas está asociado en la argumentación del proyecto a la Semana de Arte Moderno de São Paulo de 1922, que irrumpió en el arte y la literatura brasileñas con toda la fuerza del movimiento modernista de vanguardia, así como a las neovanguardias que tuvieron lugar en las décadas de los ochenta y noventa. ¿Qué toma Davis Museum de ambos momentos y cómo articula este legado dentro de la estética postmodernista o neomoderna que asimila o consume la mirada contemporánea?

DL: DAVIS MUSEUM toma prestado el término, el concepto, de lo “antropofágico” como legado cultural del Modernismo Brasileño de 1922. Aquellos artistas lucharon para construir una identidad moderna brasileña, mezclando sin ningún pudor las tradiciones culturales indígenas, africanas y europeas. DAVIS MUSEUM también quiere reconstruir y redimensionar esta identidad brasileña, tragando, cual indio sudamericano caníbal, la cultura llegada de fuera, para regurgitarla y transformarla en producto artístico revelador. En cuanto a las propuestas de la posmodernidad de los años 80 y 90, DAVIS MUSEUM se adentra en un proceso crítico de los límites de la autoría y el plagio, proponiendo la imposibilidad de la creación original pura del imaginario romántico y propone la hibridación, mezcla y fusión total de géneros y categorías artísticas.

LM: En el texto de Irene Pomar, fechado en París, en julio de 2009, que colocas al inicio de la página referencial de DAVIS MUSEUM, se dice: "DAVIS MUSEUM acts as a new device for experimentation, a place where the visitor enters and donated works of art are exhibited, creating a game of feedback..." ¿Es así para Davis Lisboa? ¿Puedes abundar sobre esté círculo cerrado que se concentra en la esfera de la producción cultural contemporánea?


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Cartel de DAVIS MUSEUM

DL: Sí, para mí, una de las característcas de DAVIS MUSEUM es que crea un pequeño laberinto o acertijo mental, invisible para los ojos y perceptible solamente bajo un análisis reflexivo de sus relaciones intrínsecas. En relación a como este círculo cerrado que se concentra en la esfera de la producción cultural contemporánea, basta recordar que toda la estética relacional de DAVIS MUSEUM se sustenta en la utilización de plataformas gratuitas y redes sociales como Facebook y YouTube, que juegan un papel fundamental, no solo en la organización, como en los contenidos estratégicos relativos a las posibilidades e investigaciones del New Media Art. Parafraseando a Bruce Rex, curador del LACDA, Lo digital define lo contemporáneo.

LM: Mencionas como precedentes a DAVIS MUSEUM la Boite-en-valise de Marcel Duchamp y la Galerie légitime de Robert Filliou. Otra vez nos remitimos a las palabras introductorias de Irene Pomar, en las que se dice que DAVIS MUSEUM "enjoys the neutrality of the readymade object" y se encuentra más allá del Dualismo y el Simbolismo. ¿Hace uso DAVIS MUSEUM de esta llamada "neutralidad" del ready-made? En otras palabras: ¿"cree" en ella DM?

DL: DAVIS MUSEUM posee una intención estética neutral que comparte con la escultura ready-made, lo que no significa que busque lo mismo desde el punto de vista conceptual. Y es así por una cuestión de prioridades visuales. Pienso que DAVIS MUSEUM debe ser un espacio físico silencioso y abierto, para que la obra de los demás artistas pueda comunicar sus contenidos críticos o líricos.

LM: En el perfil que aparece en tu página web dices que eres un artista "polifacético, multidisciplinar y globalizado" que trabaja borrando las fronteras entre artes aplicadas y plásticas, alta y baja cultura, arte y mercado, tecnología y artesanía." Existe todo un tópico en el campo de la hermenéutica que alcanza a las artes plásticas contemporáneas, y que distingue entre "globalización", como un proceso desencadenado fundamentalmente desde los Estados Unidos, y "mundialización", en tanto experiencia del encuentro, vista desde una noción relacional, entre diferentes culturas. ¿Estás al tanto de esto? ¿Cuál es tu posición al respecto?

DL: No estoy al tanto sobre este tema. No tengo ninguna posición al respecto.

LM: Recientemente tuviste un incidente con la promoción que se le hizo al proyecto alemán Smallery, muy parecido a DAVIS MUSEUM, aunque posterior en su fecha de creación. Los articulistas decían que Smallery era el proyecto de su tipo más pequeño en el mundo, obviando a DAVIS MUSEUM, que es menor en proporciones. ¿Crees que existe un problema de divulgación insalvable con los proyectos artísticos no-europeos o no-estadounidenses? ¿Cuál es tu opinión al respecto y qué estrategias de divulgación tienes y proyectas para DM?

DL: DM es proyecto artístico nacido en Barcelona aunque posee una “alma” multicultural. DAVIS MUSEUM ha sido inaugurado en el día 1 de enero de 2009 y Smallery ha sido inaugurada en el día 7 de agosto de 2009. El primero tiene una dimensión de 20 x 20 x 20 cm, mientras que el segundo tiene una dimensión de 200 x 200 x 200 cm. Smallery se anuncia como posiblemente la galería más pequeña de Berlín, Alemania o del mundo (según la publicación), lo que me parece un título muy llamativo, que demuestra la habilidad de sus “creadores”, para esquivar las críticas de posibles “afectados” sobre la fechas de creación, tamaño, localización del proyecto. Una vez que descubrí a Smallery, decidí entrar en contacto con el periódico español El País y pedir explicaciones del porque los proyectos artísticos alemanes acaban por tener más divulgación que los españoles. La respuesta del responsable del Suplemento Cultural fue que simplemente los reporteros no conocían a DAVIS MUSEUM y que los directores estudiarían mi caso e intentarían rectificar y apoyar a los proyectos nacidos en la península. Es momento de esperar como se desarrollan los acontecimientos. Mientras tanto, la estrategia de divulgación de DAVIS MUSEUM continúa centrada en la utilización de plataformas gratuitas en Internet como Facebook, Blogger y YouTube. Aúnque también debo informar que DM ya tiene dos reportajes televisivos que serán emitidos en octubre de 2009. Europa Televisión emitirá uno de ellos que se calcula tendrá aproximadamente 1.000.000 de espectadores en Eurasia y la BTV (Barcelona Televisión) que emitirá el segundo reportaje, el día 18 de este mes, para el público de la ciudad.

LM: Hablas portugués, español, catalán e inglés. El uso del inglés como lengua preponderante en los espacios virtuales de DAVIS MUSEUM, se debe probablemente a la preponderancia de este idioma en el mundo. ¿Es esto así? ¿Alguna estrategia futura al respecto?

DL: Sí. Toda la información de DAVIS MUSEUM, de momento, se presenta en Inglés, por la preponderancia que este idioma posee; aunque no se descarta la posibilidad de que la misma información esté disponible en otros idiomas, como el Catalán, Español, Francés, Portugués, Alemán, o incluso, el Chino Mandarín. Eso sí, desde que haya un sponsor que colabore con la traducción de los textos.

LM: Como museo portátil, DM lleva su muestra hacia otros espacios de exhibición (en tu página se mencionan museos, bienales, centros culturales y galerías). ¿Hacia qué espacios se ha trasladado DAVIS MUSEUM, The Anthropophagic Davis Lisboa Museum of Contemporary in Art in Barcelona desde su fundación en enero de 2009? ¿Hacia dónde viajará próximamente?

DL: Hasta la fecha de hoy [Nota del Editor: Esta entrevista fue realizada en  septiembre de 2009], DAVIS MUSEUM ha sido expuesto en el LACDA, Los Angeles Center for Digital Arts, en los Estados Unidos y en el Centre Cívic Parc-Sandaru, en Barcelona, España. Para un futuro, existen dos comisarios residentes en Francia que mostraron su interés en participar del proyecto. Estamos estudiando la posibilidad de que DAVIS MUSEUM sea expuesto en Paris, pero todavía no hemos fijado ninguna fecha.

LM: El criterio de selección de DAVIS MUSEUM parte de su preferencia por artistas ya que tengan al menos una de sus piezas en un museo o que hayan participado en alguna bienal de arte o evento de arte de importancia. ¿No atenta esto contra las intenciones del proyecto de trabajar "borrando las fronteras entre artes aplicadas y plásticas, alta y baja cultura, arte y mercado, tecnología y artesanía", y limita el alcance de DAVIS MUSEUM para llegar a artistas emergentes que por razones de estrategia o por circunstancias geopolíticas se mantengan al margen del mercado y las instituciones?

DL: El criterio de selección de los artistas de DAVIS MUSEUM no es rígido. En la información de la web de DAVIS MUSEUM se puede leer “tendrán preferencia los artistas que tengan al menos una obra en un museo…”. Es decir, los artistas que poseen un buen nivel, conseguirán algunas ventajas como la de tener prioridad en el calendario de las exposiciones virtuales o preferencia en exposiciones colectivas en espacios culturales físicos. Eso no quiere decir que las obras de los artistas que no estén en un museo sean rechazadas por completo, sino que tendrán su lugar y tiempo apropiado a sus méritos. Algunos artistas seleccionados para tener sus obras en la colección permanente de arte contemporáneo de DAVIS MUSEUM provienen del arte comercial, otros son autodidactas y otros no tienen todavía un currículum muy sólido, pero todos ellos, por otro lado, han demostrado que hacen un buen arte.

LM: Para el instante en que salga al espacio virtual la Revista Desliz con esta entrevista, habrás cerrado la muestra de PSJM, Khodorkovsky, 2006, animación, 52'', expuesta en DAVIS MUSEUM desde el 1ero de julio al 30 de septiembre de 2009, y estará en exposición 800ºC, de Gê Orthof, 2009, técnica mixta, 7,8 x 7,8 x 7,8 pulgadas, programada para el 1ero de octubre y hasta el 31 de diciembre de 2009.  ¿Qué puedes decirnos de estas dos muestras?

DL: Prefiero que la gente lea los manifiestos de estos artistas publicados en la web de DAVIS MUSEUM y en sus páginas personales, donde encontrarán información sobre los interesantes planteamientos artísticos de estos artistas. Personalmente, pienso que es un honor tenerlos en la colección de arte contemporáneo de DAVIS MUSEUM.

LM: Ha sido un gusto conversar contigo y presentar este joven proyecto en Desliz. Dejamos para el final la pregunta de rigor: ¿Planes de DAVIS MUSEUM, The Anthropophagic Davis Lisboa Museum of Contemporary in Art in Barcelona?

DL: Los planes inmediatos de DAVIS MUSEUM se remiten a encontrar un mecenas o sponsor privado o público que quiera invertir en el proyecto. De esta manera podremos mejorar el espacio de exposición de las obras, la organización de calendario y eventos, crear una instalación itinerante y publicar catálogos, en principio virtuales y, más tarde, impresos, que puedan favorecer a los artistas y a la cultura en general.D

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